sábado, 29 de março de 2014

"Agente briga, agente se ama, agente vai, agente volta. Agente e dá gente, é da gente ninguém tira."
                 - P.S Eu te amo

sexta-feira, 28 de março de 2014

”[…] Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma, sinceramente , por inteiro. Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro. Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado. Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. […]”
                             -Carlos Drummond de Andrade
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca.. Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar para a missa, apresentar sua família... Isso a gente vê depois.. Se calhar.. Deixa eu dirigir seu carro, que você adora, quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos.. Me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contavenções. Me rapte! Se nada disso funcionar, experimente me amar.
                  Pedro Bial.
Re. 
Reame.
Recomece.
Relembre.
Recupere.
Renove.
Retente. 
Reconstrua. 
Remarque. 
Rebeije. 
Reapaixone.
Reviva. 
E se não de certo, meu amigo. Re!




Eu te amo tanto, tanto, tanto, tanto .. Que eu nem sei se é correto amar alguém tanto assim!
Eu tenho certeza que nos quase terminamos ontem a noite, eu joguei meu telefone do outro lado do quarto em você, eu estava esperando alguma revolta dramática, mas você ficou, esta manhã eu disse que deveríamos conversar sobre isso, porque eu li que você nunca deve deixar uma briga mal-resolvida, então você entrou usando um capacete de futebol americano, e disse 'tudo bem, vamos conversar, e eu disse Fique.. eu o tenho amado por algum tempo, você acha engraçado quando eu fico brava, mas acho que é melhor se nós dois ficarmos.. Antes de você, eu só namorei com egoístas indulgentes possessivos, que descontaram todos os seus problemas em mim, mas você leva minhas compras e agora estou sempre rindo, e eu te amo porque você me deu outra escolha a não ser essa (...) Você teve tempo para me memorizar, e meus sentimentos, minhas esperanças e meus sonhos. Eu só gostaria de sair com você o tempo todo, todas aquelas vezes que você não se foi tem me ocorrido, que eu gostaria de sair com você por toda a minha vida, fique e eu vou te amar por algum tempo, ninguém mais vai me amar quando eu ficar brava ...
      - Taylor Swift: Stay, stay!


Advirto quando nos sentimos muito triste e precisamos extravasar esta infelicidade através do choro, devemos fazê-lo do mesmo modo como quando éramos crianças e ainda não tínhamos a real consciência do que o mundo representaria. A criança é livre, assim com todo o adulto deve ser e demostrar os sentimentos não deve ser motivo de vergonha para ninguém, se orgulho disso. É sinal de amadurecimento, chorar, sofrer. Faz parte da vida, de todos nós, não somos diferentes uns dos outros, no fundo somos todos iguais, em carne, corpo, pensamento e sentimentos.
            Paulo Coêlho - adaptação: Amanda Mello
Eu prometo te amar de segunda a domingo. Prometo te amar durante todo o mês. Prometo te amar de janeiro a janeiro. Prometo te amar até o mundo acabar. Prometo te amar, todos os dias da minha vida, até mesmo os dias que você menos merecer. Eu prometo cuidar de você, como ninguém jamais cuidou. Até meu último dia de vida,meu último suspiro, sim. Eu prometo.
                         - Amanda MELLO
Gabriel R.
Eu vi a morte é ela disse: Viva
                 - Cazuza

quarta-feira, 26 de março de 2014

Você é linda. Você é inteligente. Você é engraçada. Você é gentil. Você é única. Você é digna de amor é carinho. Você nunca é demais. Você é sempre o suficiente. Você é preciosa. Você é um diamante. Você é uma rosa. Você é uma pérola. A mais impressionante de todas as criações de Deus. Você vale mais do que pode imaginar, Vale mais do que qual quer número, ou qual quer produto que usa no cabelo. Mais de quantas meninas gostariam que fosse você, ou quantos caras gostariam de ter você. Mais do que as etiquetas de preço em suas roupas, ou sua nota mais alta no teste de matemática, ou até mesmo o número de seguidores que você tem no twitter. Seu valor supera todas as coias terrenas, por que aos olhos do Senhor Deus, você é amada e você valeu a pena sua morte. Independentemente de quem você acha que é.  Se você é modelo em uma revista ou mora com a avó. Se você está ou não na lista, se você é líder de torcida ou apenas um estudante. Se você é popular, ou nunca teve alguém pra chamar de amigo. Se você se ama e ama sua vida, ou não pode olhar no espelho e se sentir como se tudo em sua vida está caindo aos pedaços. Se você é um vencedor. Ou se sente como o maior fracassado do mundo, independentemente de quem você acha que é. A realidade é que você merece alguém que daria a vida por você, por que você é poderosa. E forte. E capaz. Leia sobre as mulheres na Bíblia: Ester, Rute, Marta, Maria. Essas mulheres mudaram o mundo para sempre. E dentro de você. Todas e cada uma de vocês.  São mulheres com o mesmo poder, e a mesma força. E a mesma capacidade de mudar o mundo. E sua responsabilidade é encontrar essa mulher e tornar essa mulher livre. Essa e quem você é! E qual quer voz na sua cabeça, que está dizendo o contrário, é do inimigo. E a próxima vez que você ouvir, isso é o que você dirá: Não, não eu satanás! Eu sou uma filha do Deus vivo. Cuidada, amada e adorada acima de todas as coisas, pelo criador de todas as coisas. pela glória Dele, que é melhor que todas as coisas. EU SOU MARAVILHOSA! Por favor, não se esqueça disso! Quem você é.
Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita. Não há quem não feche os olhos ao beijar. Não há quem não feche os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras. Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. Viver é boiar, recordar é nadar.

terça-feira, 25 de março de 2014

" Sou fera, sou bicho, sou anjo, e sou mulher. Sou minha mãe e minha filha, minha irmã, minha menina, mas sou minha, só minha e não de quem quiser."

segunda-feira, 24 de março de 2014

" Dá aqui a tua mão. Vou segurar ela bem forte e, juntos, vamos conseguir enfrentar qual quer coisa boba ou séria. Sabe por quê ? Por que a gente se ama. E nada mais importa."
             - Clarissa Corrêa

domingo, 23 de março de 2014

" Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Por que é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o  que tememos: O não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.
                                  - Rubem Alves

sábado, 22 de março de 2014

Esses dias eu queria ser feliz. Mas, diferente de muitos, eu queria ser ingênuo com a minha felicidade. Queria acreditar que ela é só isso mesmo. E ponto. Esquecer um pouco o dinheiro e os amores, as contas e os mau humores, e ficar ali conversando; e sem pensar, me sentir compreendido e sereno. Mas compreendido de uma maneira que não me faltasse vontade, nem coragem, de abraço e beijo. De sentar e chorar o que me dói. De rir do que me alegra e saber que ali existe compreensão – mesmo quando o riso for besta. Que existe amor e calmaria, mas principalmente, verdade e simplicidade... Pois convenhamos, quem não gosta de sentir-se compreendido? Quem não gosta de compartilhar loucuras, sonhos, dúvidas ou medos, e receber de volta compreensão e riso? É, eu também não sei... Então, esses dias, enquanto caminhava em busca de sorrisos que combinassem com o meu, descobri que compreender é sentir a história dos outros como se fosse sua. É abraça-los com olhos que arrancam verdades e dores. É saber que ali, mesmo por trás da carcaça rígida, existe amor e vontade de amar. Existe alguém que exclama por atenção e rosto risonho, como se tudo aquilo fosse a coisa mais comum e fácil do mundo para você... E mais que isso, compreender é saber dividir as dores alheias na garupa. Dividir às histórias e, às vezes, esperar um eu te amo de um pai que pouco diz. E talvez nunca diga. Abraçá-lo forte e dizer o quanto o ama, mesmo que isso resulte somente em um leve tapa nas costas e uma cara de pouca reação. E mesmo assim sorrir. Pois lembre-se: a falta de paciência de hoje, será a saudade de amanhã... Então compreenda, antes que seja tarde, antes que vá embora sem dizer adeus. Antes que o vazio bata à porta e lhe dê vontade de voltar o relógio e os sonhos. Antes que, sobre coração e falte presença...
                                                - Kaike Castro!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Sempre acho que namoro, casamento, romance. Tem começo, meio e fim, como tudo na vida. Eu detesto quando escuto aquela conversa assim; Ah terminei o namoro! Nossa de quanto tempo ? Cinco anos, mas não deu certo, acabou!  A é, não deu? Claro que deu, deu certo durante cinco anos, só que acabou! E o bom da vida e que você sempre pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam , acredito em pessoas que se somam. As vezes você não consegue nem dar 100% de você mesmo, pra você, como cobrar 100% do outro? E não temos essa coisa "completa".. As vezes ele é fiel, mas não e bom de cama. As vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. As vezes ele  é atencioso, mas não e trabalhador. As vezes ele é malhado, mas não é sensível. Tudo nós não temos! Perceba qual aspecto que é mais importante e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro, quando você tem pele com alguém pode ser o "papai & mamãe" mais básico que e uma delicia! E as vezes você tem aquele sexo "acrobata" mas que não te impressiona. Eu acho que o beijo e importante, se o beijo bate se joga! Se não bate, mais um Marttine por favor e vai dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue. não dê piti. Se a pessoa tá com dúvida e problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência, pra querer a presença. O ser humano não é absoluto, ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa realmente gostar, ela volta. Nada de drama, que graça tem alguém do seu lado sob chantagem? Gravidez? Dinheiro? Recessão de família? O legal é alguém estar com você, por você, e vice-verse! Não fique com alguém por dó também, ou por medo da solidão. Nascemos sós, e morremos sós. Nosso pensamento e nosso, não é compartilhado! E quando você acorda a primeira impressão é sempre sua, o seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance pro outro, que medo que e esse de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói, você muitas vezes vai ter raiva, ciumes, ódio, frustração.. Faz parte! Você namora com um outro ser, um outro mundo, em um outro universo. Nem sempre as coisas saem como você quer. A pior coisa e gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com esse papo, corra afinal você não é terapeuta! Se não quer se envolver, namora uma planta que é mais previsível! Na vida é no amor, não temos garantia. Nem todo sexo é bom pra namorar. Nem toda pessoa que te convida pra sair, e pra casar. Nem todo beijo é pra se romanciar. Nem todo sexo bom é pra descartar ou se apaixonar ou se culpar, enfim! Quem disse que ser adulto é fácil? 
Eu sou uma pessoa comum. Tenho aflições comuns e anseios normais como qualquer bancário ou advogado. Vivo atrasado como qualquer motoboy e, vez em quando, sou paciente como médicos em noites de plantão. Sofro pelo amor como uma manicure em TPM ou juiz de futebol em dias de final de campeonato. E morro de medo – como uma criança vendo filme de terror – de um dia você enjoar da minha presença.Sou fascinado por músicas antigas e por meninas de saias daquela escola. adoro chocolates com  refrigerante. Adoro quebrar paradigmas. Circulo entre o que sou e o que dizem ser. Ouço Beatles e Maria Gadú. Admiro os caras que tao começando no hip hop, meus amigos e principalmente os que não tem panelas no mundo musical, mas também bato palma para o Forfun. Leio Fernando Pessoa e não malho pesado na academia. Tenho aparência de marginal, mas me derreto todo ao conversar com as mulheres. Sou recheado de tatuagens, mas escrevo poesias. Falo palavrões aos berros, mas, também, faço declarações puras ao pé do ouvido. Sorrio do mundo e tenho recíproca. Sorrio ao mundo e amo a vida. Digo besteiras demais quando fico acordado até tarde. E acordo de mau humor quando é muito cedo – que pode ser sete da manhã ou duas da tarde. Mas se recebo um sol ou um cafuné de bom-dia, a vida me parece uma eterna gargalhada daquele maconheirinho da minha rua. Quando vou te ver, nunca sei se coloco o tênis ou vou de chinelo mesmo tentando parecer qualquer falso despretensioso que acha normal alguém como você rir das piadas sem graça de um cara como eu. Mas por dentro, entre meus órgãos e pensamentos, tudo está em transe como um daqueles loucos da bolsa de valores em dias de queda. Sei ser sereno, também, quando teus olhos me acalmam como uma tarde no arpoador ou como nas vezes que você me coloca em teus braços e me transporta para o melhor spa que já inventaram: o teu colo. Ali, pareço um drogado no auge do relaxamento entorpecido pelos teus carinhos. Aí percebo que, talvez, o amor – aquele verdadeiro que não foge na primeira discussão, que entende as lágrimas femininas sem motivo aparente e que perdoa o estresse masculino com coisas fúteis – seja a droga mais procurada do mundo. A maconha boa é aquela direto da planta, sem alterações. A cocaína boa é aquela fina e branca, se possível, direto da Colômbia. Uísque bom é tomado no copo baixo, sem gelo, apenas uma boa dose de Jack Daniels ou afins. E o amor bom é aquele puro, sem adulterações ou farsas. Aquele que sai direto do peito e do fundo da alma.
- Kaike Castro

terça-feira, 18 de março de 2014


                                               É muito amor pra um só coração! 

domingo, 9 de março de 2014

  • “Houve um tempo em que eu acreditava em tudo. Em mentiras, em promessas, em destino feito por nós mesmos, em estrelas cadentes, em sorte e azar. Mas uma pessoa mudou isso em mim. Mudou o que eu pensava sobre tudo, minha visão sobre o mundo. Mudou meus planos, meus princípios e verdades, meus desejos e vontades. Mudou minha vida, me mudou. Eu acreditava que nós fazíamos o que quiséssemos, mas aprendi que nada é por acaso. Tudo acontece por uma razão. Ele era uma pessoa comum, no início. Não era importante, não fazia falta, mas isso mudou, e talvez tenha sido a melhor coisa que já me aconteceu… Eu passava por ele, na rua ou em qualquer outro lugar e o cumprimentava apenas por educação. Era quase todo dia, em quase todo lugar que eu já havia me acostumado com sua presença. É assim que uma amizade começa, mas não foi assim que terminou. Dávamos-nos as mãos, como um gesto simples de carinho, que para nós era comum. Abraçávamos-nos sem malícia. Conversávamos sobre toda e qualquer coisa. Frequentávamos um a casa do outro, sempre. Todos comentavam e estranhavam, mas nós não nos importávamos. Certo dia, depois de tantas conversas, ele me perguntou algo que nunca havia perguntado. Me assustei, não com a pergunta, mas com a forma como perguntou. Ele costumava falar num tom de voz baixo, mas sussurrou a pergunta, com a cabeça baixa, sendo que tinha o costume de olhar nos olhos da pessoa com quem conversava, quem quer que fosse ela. Ele me perguntou se eu já havia amado alguém. Era estranho, pois não havia nada que ele não soubesse sobre mim, pensava eu. Apesar de estar espantada, minha resposta foi sincera e tímida. “Não”, eu disse, observando seu rosto. Ele gemeu alguma coisa que eu não entendi. Eu o observei por alguns longos minutos. Queria que aquela imagem ficasse para sempre em minha memória. Quando foi que eu olhei para ele assim? Quando foi que eu procurei imperfeições nele, e não encontrei? Como é que eu nunca notei a pinta que ele tinha no queixo, suas sardas claras, o formato de sua boca ou a mistura de verde e caramelo que seus olhos tinham? Como foi que eu nunca notei sua beleza? Ele era lindo. Incrível e absurdamente lindo. Queria ficar ali, para sempre, olhando-o sob a luz clara do crepúsculo. Suas bochechas coraram, e eu percebi que aquele silêncio já estava constrangedor. Foi difícil ir embora, mas eu fui. Quando cheguei em casa, naquela noite, subi as escadas sem hesitar na porta e fui direto ao quarto. Imersa em pensamentos, deitei na cama, afundando o rosto no travesseiro. O que estava acontecendo comigo? Senti a necessidade de ouvir a resposta de alguém. Do meu melhor amigo, talvez. Peguei o telefone e disquei o número sem hesitar. Ele atendeu rapidamente, com a voz rouca. Eu não disse nada. Algo na voz dele me imobilizou. Ele também não disse nada. Até o som do silêncio eu podia ouvir; era constrangedor. Eu quase pude ouvir seus pensamentos, junto a sua respiração. Queria perguntar mil e uma coisas, mas um nó se formou em minha garganta. Depois de alguns minutos, consegui falar. “Como é amar?”, perguntei num sussurro fraco e rouco. Foi meio estranho perguntar. Um silêncio cruel e doloroso preencheu o ar. Queria acreditar que o som que rompeu esse silêncio, não era o som de suas lágrimas. Alguns outros minutos de silêncio se seguiram. “Ouvi falar que é estranho. E realmente é…”, ele começou. Esperei. “Ouvi falar que a gente perde o chão, que é como se um abismo tivesse se aberto abaixo dos pés…”, completou. Ele parecia mais seguro agora. “E é assim?”, perguntei. “Comigo foi diferente. Foi como se, pela primeira vez, o chão estivesse ali. Como se eu soubesse que poderia caminhar sem que nada me derrubasse.” Fiquei em choque, sem conseguir dizer muito. “Quem é ela?”, me arrependi de ter perguntado. Ele soltou um suspiro pesado. Pude sentir a dor dele. Nós tínhamos algum tipo de conexão. Se ele sofria, eu sofria também e vice-versa. Não tinha como evitar. Silêncio. Novamente. Mais um suspiro e percebi que ele não responderia. Enfim, ele desligou. Meus joelhos cederam e as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Não tentei controlar, apenas voltei para a cama e abracei meu travesseiro. Percebi, então, que não era o travesseiro que eu sentia a necessidade de abraçar. Eu não tinha idéia do que estava acontecendo comigo. Queria tê-lo por perto, para que ele pudesse me abraçar e confortar, com uma intensidade que nunca desejei antes. Eu já estive apaixonada antes, mas nunca foi assim, tão forte que me fez chorar. A vontade de tê-lo comigo, quase me fez levantar imediatamente e ir atrás dele. E então eu adormeci. No outro dia, acordei com olheiras profundas e pesadas. Havíamos combinado que nos veríamos nesse dia, como de costume. Eu estava tão feliz, tão animada com a idéia de que veria ele novamente que, depois de passar horas em frente ao espelho, achei que estava realmente bonita. Mas ele não apareceu. Esperei por alguns minutos. Nada de ele chegar. Eu não conseguia acreditar que ele não estava ali. Só conseguia pensar que alguma coisa tinha acontecido. Ele não teria esquecido, nem tampouco feito para me magoar. Liguei para ele. Ele não atendeu. Estava começando a me preocupar, então liguei na casa dele. Sua mãe atendeu, e me disse que ele havia saído algumas horas atrás; nervoso e sem dizer para onde ia. Só havia dois lugares para onde ele ia quando estava nervoso. Para a minha casa ou para um prédio abandonado, onde ele gostava de ir para pensar. Se ele não estava comigo, ele só poderia estar lá. Fui até lá, sem pensar em outras hipóteses. Quando cheguei me senti aliviada por encontrá-lo. Ele estava de costas e não me viu. Queria me aproximar e perguntar o que estava acontecendo, mas não disse nada, apenas fiquei parada, olhando para ele. Ele ficou de pé, depois se virou para mim. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Era quase impossível controlar o impulso de sair correndo e abraçá-lo. Quando dei alguns passos à frente, ele ergueu a mão direita, como se estivesse pedindo que eu parasse, e então parei. “Não podemos mais nos ver”, sussurrou, tão baixo que foi difícil ouvir. Talvez tenha sido difícil pelo fato de eu não querer ouvir. Demorei alguns longos minutos para digerir aquelas palavras e a forma como ele disse num tom de voz frio e rude. “Você não me verá mais. Eu prometo”, continuou, com o mesmo tom de voz. “Não! Por favor, não!”, tentei gritar, mas o nó que se formou em minha garganta impediu que minha voz saísse no tom de voz que eu queria. Disparei em sua direção, envolvendo-o em meus braços com a maior força que pude. Eu estava chorando. Ele não disse nada, e eu daria tudo para saber o que ele estava pensando. “Por favor, não faça isso”, sussurrou com a voz rouca, entre soluços pesados. Eu não tinha idéia do que ele queria dizer, mas não me importava com quaisquer que fossem suas intenções. Eu não me afastaria dele. Então seus joelhos cederam e ele caiu ao chão, junto aos meus pés. “Me diga o que aconteceu, quero te ajudar, por favor, deixe-me ajudá-lo”, eu disse, baixo, mas ele ouviu. Ele não me respondeu, e ainda soluçava. “Eu preciso que você me diga”, insisti. Ele se levantou com muito esforço, olhou em meus olhos e segurou minhas mãos com força. Alguns minutos se passaram até que ele falasse. Meu coração parou por um instante, depois acelerou desesperadamente. Se um coração ao se partir emitisse algum som, acho que aquele era o som. As palavras que se seguiram, como o som de um vidro ao quebrar, ecoavam em minha mente. “Eu…”, hesitou por alguns segundos “… amo você. É por você que eu ainda estou vivo, mas acho que isso já é meio óbvio. Eu lhe peço, que, para o seu melhor, se afaste de mim”. Já se sentiu como se tivesse muitas coisas para falar e mesmo assim não conseguisse dizer nada? Eu estava assim. Perplexa. Paralisada. Imóvel. Então era a mim que ele amava? Desde quando? Como? Ele pareceu entender meus pensamentos, pois respondeu rapidamente. “Eu não sei como ou quando aconteceu, mas aconteceu, e agora eu estou aqui, te envolvendo cada vez mais nisso e te pedindo para se afastar de mim. Será melhor para você”. Por quê? Por que ele estava dizendo aquilo? Inspirei e expirei algumas vezes, para me acalmar. Não adiantou. “Você não quer isso… Se afastar de mim. Você não quer…”, consegui, enfim, dizer. Não era uma pergunta. Ele virou o rosto, sem conseguir fitar meus olhos outra vez. “Não…”, sussurrou. “… e talvez esse seja meu lado masoquista”. Não queria que ele se sentisse daquele jeito, queria fazer alguma coisa para acabar com a dor dele. Por que eu senti vontade de correr e saltar daquele prédio? Por que meu coração doía tanto? Por que eu estava me sentindo daquele jeito? O que eu estava sentindo, afinal? Abracei-o com força, mas ele lutava para se desprender de meus braços. Eu queria mantê-lo para sempre ali, aninhado em meu peito, para tentar acalmá-lo e desejei que ele nunca fosse embora. A idéia de sua partida me fez derramar lágrimas, novamente. “Eu nunca vou te deixar, nunca! Entendeu seu idiota? Não vou deixar você ir assim”. Ele não fez piada daquilo, mas parou de lutar. Olhou em meus olhos, o que me fez tremer. Segurou meu rosto entre as mãos, acariciando-o por um instante, depois aproximou seu rosto do meu. O contato de nossas peles me fez tremer. Segundos depois senti seus lábios nos meus; eram quentes e doces. O sabor mais doce entre todos os beijos. Não queria que aquele momento acabasse nunca. E quando se afastou, forçou um sorriso e disse, com a voz fina e baixa, “adeus”. Não o vi sair, minhas pernas prenderam-me ao chão. O que estávamos fazendo? Não devíamos ter feito aquilo, não era certo. Eu não deveria ter gostado daquele beijo. Nos dias que se seguiram, não nos falamos. Quando eu telefonava, ele não me atendia e, quando fui até sua casa, não havia ninguém. Pouco menos de uma semana após sua confissão, uma notícia me abalou. Eu estava em casa, pensando em onde ele poderia estar, quando minha mãe veio conversar comigo, com os olhos cheios de lágrimas e uma expressão de dor. Tentei imaginar o que era, e quando ela me disse, senti muitas coisas ao mesmo tempo. Dor, surpresa, preocupação, saudade, e mais dor. Foi um impacto muito forte. Disparei pela porta e, sem pensar duas vezes, fui direto ao Hospital, onde, segundo ela, ele estava. Quando cheguei, o desespero me dominou. Eu já não sabia o que pensar, ou o que deveria fazer, mesmo assim entrei. Tentando me controlar, fui até a recepção e perguntei por ele, dando à recepcionista seu nome. Ela me indicou o número do quarto e disse que talvez ele não pudesse receber visitas. Não me importava, eu precisava vê-lo. Procurei o quarto, e, assim que o encontrei, bati na porta. Ninguém abriu. Bati novamente e abri a porta. Ainda sem entrar, olhei o quarto e não havia ninguém além dele. Entrei. Ele estava lá, de costas para mim. Esperava que ele estivesse acordado, então ele se mexeu. Ele olhou por sobre o ombro, depois abaixou a cabeça novamente. “Sabia que não demoraria a me encontrar”, disse, com a voz mais baixa que de costume. “Por que você está aqui?”, perguntei. “Muitos motivos…”, sua voz falhava. Fui até ele e me sentei a sua frente, para que conseguisse ver seu rosto. Ele me olhou por alguns segundos, depois fechou os olhos. Seu corpo estava cheio de hematomas, manchas escuras. Talvez ele não quisesse me dizer, mas eu precisava que ele me dissesse. “Você não está bem, não é?”, perguntei, sabendo que a resposta era não. Ele abriu os olhos e sorriu. Seu sorriso acendeu uma espécie de calor em mim, como se aquilo fosse parte vital de mim. Dei a volta na cama e me deitei ao seu lado, pondo a mão em sua cintura. Ele segurou minha mão e, assim que o fez eu percebi que sua pele estava muito fria. Pude perceber, também, que ele respirava com dificuldade. Eu não queria acreditar no que estava acontecendo. “Eu vou morrer”, ele disse num tom de voz totalmente frio. Eu estava chorando, de novo. “Não, você não vai. Não vou deixar isso acontecer”, tentei dizer, lutando para engolir o nó em minha garganta. Ele riu, o que me fez chorar ainda mais. “Você terá que aprender a viver sem mim garota…”, percebi que ele estava sorrindo, como se achasse graça de tudo que estava acontecendo. Aquilo me irritou um pouco, mas não disse nada. Seu corpo enrijeceu por um momento, depois tremeu, o que me assustou um pouco. “Isso é normal”, ele disse, como se tivesse lido meus pensamentos outra vez. “Foi por isso que você pediu que para que eu me afastasse de você?”, perguntei. Ele não respondeu. Seu silêncio era constrangedor. O único barulho que podíamos ouvir, era o dos aparelhos ao seu lado. “Vou sair daqui amanhã”, disse ele, depois de tanto tempo em silêncio. Quase me animei. “Quero ir para casa, ficar perto da minha família”. Esse foi o término do meu ânimo, quando entendi o que ele queria dizer. Não questionei, apenas o abracei com mais força. E foi assim que aquele dia se seguiu. Fiquei com lá até um pouco depois de ele ter adormecido. Eu chorava só de olhar para ele, só de pensar em perdê-lo. Sua mãe estava lá também e, por esse motivo, consegui ir para casa. Eu não pensava em mais nada, o dia todo. Eu só saía daquele Hospital quando ia para casa, à noite. Não conseguia imaginar minha vida sem ele. No dia que ele foi para casa, todos foram ao Hospital. Amigos, familiares, conhecidos, etc. Muita gente gostava dele, ele era uma pessoa muito especial. Ele teve um pouco de dificuldade para caminhar até o carro, e sua mãe estava ao seu lado, como apoio. Ver aquela cena me fez perceber o quanto eu o amava, o quão importante ele era para mim e o quanto eu queria que ele ficasse. Quando ele voltou para casa, quase nada havia mudado entre nós. Era quase como antes, nós ainda xingávamos um ao outro, discutíamos sobre seu gosto musical e ele ainda criticava meu cabelo cobrindo meu olho. Era bom vê-lo comigo, fazê-lo sorrir enquanto podia. Eu sentia como se tivesse um prazo de vida. Não só da dele, mas da minha também. Parecia que não existia vida sem ele. Acho que fomos “levando” a situação. Um dia, depois de eu ter criticado bastante a música que ele estava ouvindo, ele parou, me olhou e sorriu como na noite em que eu descobri que o amava. “O que foi?”, perguntei constrangida. “Vou sentir sua falta, onde quer que eu esteja”. Retribuí o sorriso e, por mais que já estivesse me acostumando com as lágrimas, senti meu coração apertar com cada lágrima que eu derramava. Na manhã seguinte recebi um telefonema de sua mãe. Ele havia piorado, e foi levado novamente para o Hospital. Fui até lá assim que soube. Quando o vi, meu coração disparou. Ele mal conseguia falar, então não exigi esforços dele. Fiquei sentada ao seu lado, falando com ele, sem esperar resposta. Eu estava falando com ele, sobre coisas do nosso passado, quando ele me interrompeu. “Você fica linda quando prende o cabelo”, disse ele, sorrindo. Sabia que ele havia reparado em meu cabelo, só não esperava que ele falasse disso. Reprimi o riso e apenas sorri para ele. Ele segurou minha mão e a apertou, usando a maior força que pôde. Beijei sua testa, depois seus lábios. Ele sorriu. Ele me pediu para que eu cantasse uma música para ele e, apesar de eu não gostar daquele estilo de música, sussurrei-a em seu ouvido. Então ele fechou os olhos… e nunca mais os abriu. Ele faleceu naquela noite, em meus braços. Parece horrível, eu sei, mas para mim não foi. Foi como se eu o estivesse ninando durante a noite, e ele estivesse num sono profundo. Eu sei que ele estava feliz em meus braços, e eu estava feliz também. Foi difícil para mim, deixá-lo ir, mas agora é como se ele nunca tivesse partido. E quando me perguntam onde é que meu amor está, eu sempre respondo a mesma coisa: “Independente de onde ele estiver, ele está esperando e olhando por mim, e nosso amor estará para sempre vivo nos corações daqueles que fizeram parte dessa história. Eu sinto que ele ainda está em mim, e para sempre estará
  • - MIGUEL ARAÚJO, pra mim !